sábado, 17 de outubro de 2026
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Política

Pesquisa Badra sobre sucessão em Pernambuco é questionada por abranger 13 dos 184 municípios do Estado

Levantamento que aponta vantagem de João Campos sobre Raquel Lyra gera debate sobre metodologia e representatividade territorial

A divulgação da primeira pesquisa do Instituto Badra sobre a sucessão estadual de 2026 provocou comemoração imediata entre aliados do ex-prefeito do Recife, João Campos. Nas redes sociais, o levantamento foi tratado quase como uma confirmação antecipada de vitória. O problema é que, antes de abrir o espumante, talvez fosse recomendável ler a metodologia.

Consultando os dados registrados na Justiça Eleitoral, chama atenção o fato de que a pesquisa foi realizada em apenas 13 municípios pernambucanos: Recife, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Vitória de Santo Antão, Serra Talhada, Surubim, São Bento do Una, Itambé, João Alfredo, Altinho, Lagoa dos Gatos e Terra Nova.

Nada contra essas cidades. Todas tem importância política e eleitoral. Mas Pernambuco possui 184 municípios, além de Fernando de Noronha. Isso significa que mais de 90% das cidades pernambucanas ficaram fora do levantamento. A questão não é apenas matemática. É política e metodológica. Uma pesquisa estadual precisa representar adequadamente a diversidade de um estado que possui realidades econômicas, culturais e eleitorais bastante distintas entre a Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste, Sertão e São Francisco.

A comparação com o levantamento mais recente do Datafolha é inevitável. O instituto ouviu eleitores em 43 municípios pernambucanos, distribuindo sua amostra de forma significativamente mais ampla pelo estado.

Naturalmente, pesquisas diferentes podem produzir resultados diferentes. Isso faz parte do processo democrático. O que causa estranheza é a velocidade com que alguns dirigentes socialistas passaram a tratar uma pesquisa isolada como verdade absoluta, depois de passarem semanas relativizando levantamentos que mostravam cenário distinto.

A situação lembra aquele torcedor que considera o árbitro excelente quando marca pênalti para seu time e incompetente quando marca contra. Quando a pesquisa agrada, é ciência. Quando desagrada, é questionável.

Outro detalhe importante é que João Campos exerceu um mandato concentrado na capital do estado e possui elevada exposição na Região Metropolitana, justamente onde estão alguns dos maiores colégios eleitorais contemplados pela pesquisa Badra. Isso não invalida os números encontrados, mas reforça a necessidade de observar com cautela a representatividade territorial do levantamento.

Por fim, talvez a principal conclusão seja a mais simples: uma pesquisa é um instrumento de medição, não um troféu. E quanto mais limitada for sua cobertura territorial, maior deve ser o cuidado na interpretação dos resultados.

No fim das contas, a Badra produziu uma fotografia quem nem chega a ser de fato um 3×4. Mesmo assim, o debate está em saber se ela tem capacidade, analisando dados de apenas 13 municípios, de retratar Pernambuco inteiro ou apenas um recorte bem minúsculo.

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