sábado, 17 de outubro de 2026
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Política

João Campos assume legado de Paulo Câmara e reacende debate sobre ciclo socialista em Pernambuco

Defesa pública do ex-governador feita pelo prefeito do Recife recoloca em pauta avaliações sobre os quase 20 anos de gestão do PSB no estado e os desafios políticos para 2026

Ao sair em defesa pública do ex-governador Paulo Câmara, o prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, acabou trazendo novamente ao centro do debate político estadual um dos períodos mais controversos da gestão socialista no Estado.

Em entrevista concedida à [Folha de Pernambuco](https://www.folhape.com.br/?utm_source=chatgpt.com), João afirmou que Paulo Câmara deixou Pernambuco financeiramente equilibrado e destacou resultados administrativos da gestão do aliado político. A declaração, porém, vai além de um gesto de lealdade partidária: ela sinaliza uma escolha estratégica do prefeito de assumir institucionalmente a herança política do PSB em Pernambuco.

O movimento ocorre em um momento delicado da pré-disputa eleitoral de 2026. Isso porque, apesar do discurso de responsabilidade fiscal frequentemente defendido por integrantes do antigo governo, a administração de Paulo Câmara enfrentou elevados índices de desaprovação popular ao longo de seus mandatos.

Em 2017, pesquisa do Instituto Uninassau em parceria com o Jornal do Commercio mostrou que 74% dos pernambucanos desaprovavam a gestão estadual, enquanto apenas 16% aprovavam o governo. À época, os números consolidaram uma das mais altas taxas de rejeição já registradas para um governador pernambucano em exercício.

O desgaste era impulsionado principalmente pela percepção negativa da população em áreas consideradas sensíveis, como segurança pública, infraestrutura, geração de empregos e eficiência dos serviços estaduais. Mesmo com indicadores fiscais frequentemente citados por setores técnicos e aliados políticos, o sentimento predominante entre parte significativa do eleitorado era de insatisfação com a capacidade de resposta do governo aos problemas cotidianos.

Nesse contexto, a defesa feita por João Campos abre espaço para um desafio político importante: equilibrar o discurso de renovação com a necessidade de administrar o peso do passado recente do partido. Embora busque construir uma imagem de nova liderança dentro do PSB, João esteve diretamente ligado ao núcleo político da gestão Paulo Câmara, tendo atuado como chefe de gabinete do então governador.

Na prática, analistas políticos avaliam que o prefeito precisará encontrar uma narrativa capaz de diferenciar sua eventual candidatura do desgaste acumulado pelo ciclo socialista sem romper completamente com a base política que sustentou o partido nas últimas décadas em Pernambuco.

A fala também reforça uma tendência observada nos bastidores da política estadual: a disputa de 2026 tende a ultrapassar o debate administrativo e caminhar para uma avaliação mais ampla sobre os quase 20 anos de hegemonia socialista no comando de Pernambuco.

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